Se queres saber, ainda me lembro de ti. Tamanha é a hipocrisia das pessoas que dizem ter se esquecido. E qual é o problema com a lembrança? Lembrança remete a passado, e passado é o que nós nos tornamos. Houve coisas boas, houve coisas ruins e houve infortúnios do acaso. Aconteceu que as coisas ruins e os infortúnios prevaleceram. Aconteceu que a nossa sorte não foi assim tão generosa.
Queres saber sobre mágoa, rancor e desilusão. Entendo tua curiosidade. Saibas que guardei-os por muito, muito tempo. Eram peças raras para mim em minha coleção de sentimentos. Eram únicos! Lustrava-os todos os dias ao acordar. Por vezes passava o dia inteiro só contemplando-os e dormia pensando em como estariam pela manhã. Mas o tempo foi passando e por fim enjoei. Vi que não valiam tanto assim e que eram um peso extra, um empecilho à minha vontade de voar. E voar é tão bom! Ao contrário do que se imagina, é preciso ser bem grande para voar. Eu cresci. É certo que estou dando ainda meus primeiros rasantes. Ainda perco um pouco o controle nas turbulências... Mas ficarei maior! Com certeza ficarei maior e um dia conseguirei pairar; pairar por anos! Por toda eternidade! Espero muito que estejas também conseguindo voar.
Eu mudei bastante. Imagino que tu tenhas mudado também. Se formos parar para pensar, nós não nos conhecemos mais. Somos dois estranhos conectados pelo passado. Duas almas ligadas, depois de tanto tempo, nem se sabe o porquê. Exilados de uma mesma pátria para lugares muito distantes e completamente distintos. Por isso eu não vejo sentido em negar que me lembro de ti. E é por isso que desejo, na mais pura das verdades, um dia ainda te encontrar. E espero que seja bem alto, leve, pairando também pelos ares.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Rio
"Já que és Oceano, serei Rio.
Percorrerei meus cursos, mudarei meus rumos.
E serei perene,
Calmo ou revolto, ambundante ou por um fio
Sujo ou cristalino...
Assim serei.
Me perderei, me encontrarei
Me despencarei e me erguirei
E mesmo assim continuarei...
Desviarei de obstáculo, e quando não conseguir
Defrontarei, sem medo
Vencerei, e seguirei.
E ao chegar perto
Me transformarei em rio de amor,
De ternura e aconchego
De afago e alento...
E ao encontrarmos, e sorrirmos,
Sentirei paz.
E viverei.
E morrerei.
Envolto de Oceano."
Lílian de Castro Moreira
Percorrerei meus cursos, mudarei meus rumos.
E serei perene,
Calmo ou revolto, ambundante ou por um fio
Sujo ou cristalino...
Assim serei.
Me perderei, me encontrarei
Me despencarei e me erguirei
E mesmo assim continuarei...
Desviarei de obstáculo, e quando não conseguir
Defrontarei, sem medo
Vencerei, e seguirei.
E ao chegar perto
Me transformarei em rio de amor,
De ternura e aconchego
De afago e alento...
E ao encontrarmos, e sorrirmos,
Sentirei paz.
E viverei.
E morrerei.
Envolto de Oceano."
Lílian de Castro Moreira
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Oceano
Oceano serei sempre para ti. Oceano de água doce; pura e límpida! Oceano de amor e bondade. Oceano de paz e calmaria. Oceano de carinho e compreensão. Oceano de zelo. Oceano de nada, se só quiseres estar. Oceano de lágrimas, se de mim te afastares. Oceano de ódio contra os que vão contra ti. Oceano de horror, se desse mundo partires. Oceano de humor para te divertir. Oceano de risos quando quiseres divertir-me. Oceano de céu quando estrelas procurarem os teus olhos. Oceano de chuva em tuas épocas de seca. Oceano de sol em teus dias nublados.
Oceano serei, sempre serei para ti! Para que assim toda e qualquer sede tua eu consiga sempre aplacar.
Oceano serei, sempre serei para ti! Para que assim toda e qualquer sede tua eu consiga sempre aplacar.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Paixões
Apaixono-me sim. E com grande voracidade. Às vezes penso que não sei me apaixonar, mas, pensando bem, quem foi que ditou as regras da paixão? Apaixono-me por cheiros, por gostos e por cores. Apaixono-me ainda mais pelos sons. Apaixono-me pelas letras e por únicas e sublimes concatenações que gênios delas fazem.
Apaixono-me por pessoas também. Apaixono-me por gestos e palavras (principalmente pelas entonações com as quais elas são proferidas). Apaixono-me por ti, por ela, por ele. Apaixono-me também por nós, porque, tratando-se de pessoas, o todo é sempre maior que a soma das partes.
Mas o problema da paixão é a confusão que ela traz. Paixão que eu sinto, eu sinto igual. Se apaixono-me por ti, posso ter me apaixonado pela tua cor, pelo teu cheiro ou pelo teu timbre de voz. Posso ter me apaixonado pelo teu jeito meigo de ser ou (coisa mais engraçada) pela tua severidade. Posso ter me apaixonado pela tua entonação ou pelas coisas que tu escreves. Até mesmo por o que lês ou escutas. Por o que vês e sentes prazer.
Apaixono-me. E apaixono-me de verdade, mesmo sem saber o porquê ou sem ter um para quê. Desisti de procurar ou tentar explicar o motivo. Porque se existe a paixão ela é causa e ao mesmo tempo consequência. Ela é condenado e carrasco. Ela é mártir e opressor. Ela existe. E só.
Apaixono-me por pessoas também. Apaixono-me por gestos e palavras (principalmente pelas entonações com as quais elas são proferidas). Apaixono-me por ti, por ela, por ele. Apaixono-me também por nós, porque, tratando-se de pessoas, o todo é sempre maior que a soma das partes.
Mas o problema da paixão é a confusão que ela traz. Paixão que eu sinto, eu sinto igual. Se apaixono-me por ti, posso ter me apaixonado pela tua cor, pelo teu cheiro ou pelo teu timbre de voz. Posso ter me apaixonado pelo teu jeito meigo de ser ou (coisa mais engraçada) pela tua severidade. Posso ter me apaixonado pela tua entonação ou pelas coisas que tu escreves. Até mesmo por o que lês ou escutas. Por o que vês e sentes prazer.
Apaixono-me. E apaixono-me de verdade, mesmo sem saber o porquê ou sem ter um para quê. Desisti de procurar ou tentar explicar o motivo. Porque se existe a paixão ela é causa e ao mesmo tempo consequência. Ela é condenado e carrasco. Ela é mártir e opressor. Ela existe. E só.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Gente de vez
Gosto de gente como eu gosto de frutas: gosto de gente de vez. Tem gente verde demais e tem gente madura demais. Não sou muito chegado a essas gentes, não... Gente verde demais é muito dura. Dá trabalho demais de tirar do pé e só fala coisas adstringentes. Gente verde demais é pequena e tem pouco suco para oferecer; gente verde demais suga muito dos outros para crescer e custa muito para adoçar. Gente verde demais não tem a capacidade de gerar nada para a vida e menos ainda de ajudar a sustentar as vidas de outras gentes.
Gente madura demais também não acho assim grande coisa. Quando não é doce demais que chega a irritar, está podre ou com bicho. É a falta de cuidado com o tempo é que implanta bichos e podridão nas gentes maduras demais. E quando isso acontece, não tem jeito; fica muito difícil de aproveitar. Gente madura demais é muito sensível e amassa por qualquer coisinha. Isso porque tem consigo toda a convicção que traz a passagem do tempo. E gente de convicção sempre cai do pé com maior facilidade. E quando isso acontece elas podem até rachar.
Por isso é que eu gosto mesmo é das gentes de vez! Gente de vez sempre está no ponto. É doce o necessário, mas sempre deixa aquele gostinho azedo do desafio da conquista. Não é dura, nem macia demais. Dá um certo trabalhinho de se degustar, mas o sabor é sem igual! Gente de vez já conhece bem das coisas da vida, mas ainda se dispõe a trocar experiências sem a prepotência temporal das maduras demais. Gente de vez tem o sumo cheiroso e é mais sedutora que as outras. Gente de vez balança ao vento sem o medo de cair. Não porque ache que nunca cairá, mas porque sabe que se cair sempre poderá ser aproveitada. Gente de vez tem vontade, garra e alegria! É claro que sempre encontramos outras gentes fenomenais, como as gentes uvas-passas e as gentes maçãs-verdes. Mas cá para nós, eu acho as goiabas de vez bem mais sensacionais!
Gente madura demais também não acho assim grande coisa. Quando não é doce demais que chega a irritar, está podre ou com bicho. É a falta de cuidado com o tempo é que implanta bichos e podridão nas gentes maduras demais. E quando isso acontece, não tem jeito; fica muito difícil de aproveitar. Gente madura demais é muito sensível e amassa por qualquer coisinha. Isso porque tem consigo toda a convicção que traz a passagem do tempo. E gente de convicção sempre cai do pé com maior facilidade. E quando isso acontece elas podem até rachar.
Por isso é que eu gosto mesmo é das gentes de vez! Gente de vez sempre está no ponto. É doce o necessário, mas sempre deixa aquele gostinho azedo do desafio da conquista. Não é dura, nem macia demais. Dá um certo trabalhinho de se degustar, mas o sabor é sem igual! Gente de vez já conhece bem das coisas da vida, mas ainda se dispõe a trocar experiências sem a prepotência temporal das maduras demais. Gente de vez tem o sumo cheiroso e é mais sedutora que as outras. Gente de vez balança ao vento sem o medo de cair. Não porque ache que nunca cairá, mas porque sabe que se cair sempre poderá ser aproveitada. Gente de vez tem vontade, garra e alegria! É claro que sempre encontramos outras gentes fenomenais, como as gentes uvas-passas e as gentes maçãs-verdes. Mas cá para nós, eu acho as goiabas de vez bem mais sensacionais!
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Ah, esse moleque...
A vida às vezes nos aborda com uma série de fatos estranhamente correlacionados os quais não conseguimos entender. Uma série de coincidências improváveis que fazem até o mais inveterado dos céticos questionar-se, ao menos que seja por um ínfimo intervalo de tempo, a respeito de algum comando celestial para as coisas terrenas. Se são boas, nos sentimos protegidos; abençoados pela suposta presença de um anjo da guarda das probabilidades, que nesse momento está ali, viciando em prol da sua felicidade os dados da sua vida. Se são ruins... uma revolta nos assalta e nos portamos feito loucos; feito o Mel Gibson em sua teoria da conspiração. Tudo e todos contra nós. Pensamos o mundo um imenso cassino onde ganhar é impossível. Onde a roleta nunca está do nosso lado.
Mas o que vejo mais interessante são as coincidências inertes. Coincidências que não nos afetam diretamente; nem para bem, nem para mal. Disse diretamente porque essas coincidências acabam por nos atingir. Acabam por fazer sentir-nos cobaias, experimentos não muito bem planejados. Brinquedos. E o fato de atuarmos como brinquedos, faz a vida ser o moleque curioso. Aquele moleque que cutuca, que desmonta, que vira e revira. O moleque que queima a formiga com lente e joga sal na pele do sapo. Que coleciona bolinha de gude, que brinca de bem-me-quer e customiza o próprio pião. E dentre todas essas brincadeiras aquela que o moleque mais gosta de brincar é de pipa. Ora deixa o vento nos levar, ora dá guinadas. Às vezes nos levanta bem alto, tão alto que pensamos nunca mais podermos cair. Mas sempre aparece uma linha com cerol que nos ceifa, nos poda do nosso guia e entramos num turbilhão. Caímos bem longe no meio do mato, de onde tudo o que podemos fazer é esperar nosso moleque nos encontrar. E recomeçar, exaustivamente, toda a brincadeira.
Mas o que vejo mais interessante são as coincidências inertes. Coincidências que não nos afetam diretamente; nem para bem, nem para mal. Disse diretamente porque essas coincidências acabam por nos atingir. Acabam por fazer sentir-nos cobaias, experimentos não muito bem planejados. Brinquedos. E o fato de atuarmos como brinquedos, faz a vida ser o moleque curioso. Aquele moleque que cutuca, que desmonta, que vira e revira. O moleque que queima a formiga com lente e joga sal na pele do sapo. Que coleciona bolinha de gude, que brinca de bem-me-quer e customiza o próprio pião. E dentre todas essas brincadeiras aquela que o moleque mais gosta de brincar é de pipa. Ora deixa o vento nos levar, ora dá guinadas. Às vezes nos levanta bem alto, tão alto que pensamos nunca mais podermos cair. Mas sempre aparece uma linha com cerol que nos ceifa, nos poda do nosso guia e entramos num turbilhão. Caímos bem longe no meio do mato, de onde tudo o que podemos fazer é esperar nosso moleque nos encontrar. E recomeçar, exaustivamente, toda a brincadeira.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
Saudade
Saudade é um sentimento complicado. É muito mais que "sentir falta". E é diferente de nostalgia. Eu diria que o sentir falta é relembrar um lugar. É querer novamente algo que já não está ao alcance das mãos. Um sentimento baseado em espaço e em coisas materiais. Nostalgia, pelo contrário, é baseada no tempo. É querer viver novamente (ou ser saudosista a) uma época que não retornará. É relembrar velhas músicas, velhos costumes. É querer recuperar a inocência há muito tempo perdida.
Saudade é misto de tudo isso. Um sentimento nobre? Com certeza. Mas também bastante egoísta. Quando sentimos saudades não sentimos falta somente de uma coisa ou de uma época; sentimos falta do que essa coisa representava para nós em determinada época. Quando sentimos saudade, sentimos falta do que sentíamos por algo, e não a falta do algo em si.
Matar a saudade é resgatar esses sentimentos. É quando novamente experimentamos um sentimento antigo por alguma coisa. É observar novamente uma bela paisagem não visitada há anos, e que, por mais mudada que esteja, traz a mesma sensação de paz. É jogar o antigo jogo da infância e ter o mesmo sentimento de raiva ao perder 7 vidas no mesmo chefão que na infância também dava muito trabalho! É rir (de verdade!) das mesmas piadas e brincar das mesmas bobeiras com um amigo de muitos anos.
Mas a saudade também traz seus problemas... A saudade em muitos casos traz a decepção. Isso acontece quando não experimentamos o mesmo sentimento de antes. É quando a velha bela paisagem não transmite a mesma paz. É quando o jogo antigo parece imbecil. É quando o seu velho amigo já acha suas piadas e brincadeiras um tanto quanto idiotas e que vocês "estão velhos demais para isso". Daí vem a revolta e as críticas. Daí vem a não aceitação. Mas devemos pensar em uma coisa: tudo e todos podemos mudar. É claro que não estamos habituados a aceitar essas mudanças, mas fazer o quê? Essa revolta você deve voltá-la a si mesmo, pois é você que sente diferente agora. E sente muito por isso.
Saudade é misto de tudo isso. Um sentimento nobre? Com certeza. Mas também bastante egoísta. Quando sentimos saudades não sentimos falta somente de uma coisa ou de uma época; sentimos falta do que essa coisa representava para nós em determinada época. Quando sentimos saudade, sentimos falta do que sentíamos por algo, e não a falta do algo em si.
Matar a saudade é resgatar esses sentimentos. É quando novamente experimentamos um sentimento antigo por alguma coisa. É observar novamente uma bela paisagem não visitada há anos, e que, por mais mudada que esteja, traz a mesma sensação de paz. É jogar o antigo jogo da infância e ter o mesmo sentimento de raiva ao perder 7 vidas no mesmo chefão que na infância também dava muito trabalho! É rir (de verdade!) das mesmas piadas e brincar das mesmas bobeiras com um amigo de muitos anos.
Mas a saudade também traz seus problemas... A saudade em muitos casos traz a decepção. Isso acontece quando não experimentamos o mesmo sentimento de antes. É quando a velha bela paisagem não transmite a mesma paz. É quando o jogo antigo parece imbecil. É quando o seu velho amigo já acha suas piadas e brincadeiras um tanto quanto idiotas e que vocês "estão velhos demais para isso". Daí vem a revolta e as críticas. Daí vem a não aceitação. Mas devemos pensar em uma coisa: tudo e todos podemos mudar. É claro que não estamos habituados a aceitar essas mudanças, mas fazer o quê? Essa revolta você deve voltá-la a si mesmo, pois é você que sente diferente agora. E sente muito por isso.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Armadura
Criamos todos nossas defesas. Empunhamos todos nossas armas. Mas quem acaricia com manoplas e espada, abraça com couraça ou beija com um elmo? Para amar é absolutamente necessário privar-se das defesas. Quando amamos, inconscientemente nos despimos. E quando nos despimos os menores movimentos nos machucam. As palavras mais tranquilas nos alvejam. E se é esse um falso amor, imediatamente vestimos novamente nossa couraça, nossas luvas, nosso elmo e empunhamos novamente nossa espada. Mas um amor verdadeiro revela-se em cicatrizes. Um amor verdadeiro as coleciona. Guarda cada uma delas como uma vitória e faz questão de se manter indefensável. Porque por defesa pressupõe-se distância. E com distância nunca há de se manter um amor. Passamos a prezar por nossas cicatrizes e mensuramos por elas nosso amor. Medimos esse amor por quantas cicatrizes podemos suportar. Todos nós temos amores de cinco, sete, quinze cicatrizes. Mas quando se ama de verdade os números não importam. Tampouco as profundidades das feridas. Feliz é o que tem seu peito aberto, suas mãos nuas e seus lábios expostos para alguém. E que, para esse alguém, jamais abrirá mão de mantê-los assim.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Envelhecer
Ninguém nasce forte. É necessário ter sido fraco para ser forte um dia.
Ninguém nasce sábio. É necessário ter sido tolo para ser sábio um dia.
Ninguém nasce bom. É necessário machucar pessoas para ser bom um dia.
Envelhecer para mim não pode ser algo menor que uma virtude. Envelhecer é uma arte. Envelhecer torna-nos arte. Muitos abominam o envelhecimento. Sinceramente eu não os compreendo. Na verdade os compreendo um pouco: são pessoas que não gostam de arte. Só que eu também não compreendo os que não gostam de arte. Só mudamos o foco; a questão continua em aberto.
Eu sempre gosto das melhores partes (e quem não?). E as melhores partes estão quase sempre próximas do fim. Abominar o envelhecimento é abominar o último gole da coca-cola, o último pedaço de bolo ou a última tragada do cigarro. É não chorar com a partida do Pequeno Príncipe, é não revoltar-se com a indistinguibilidade de porcos e homens na Revolução dos Bichos ou com as difíceis Vidas Secas. É não chorar com os beijos do Cinema Paradiso, não sorrir com a volta d'O Palhaço ou não revoltar-se com o fim do criador d'A Corrente do Bem.
E o mais belo de envelhecer é que é a única coisa que continuamos fazendo até o último segundo de nossas vidas:
Nunca seremos tão fortes que não possamos nos tornar mais fortes.
Nunca seremos tão sábios que não possamos nos tornar mais sábios.
Nunca seremos tão bons que não possamos nos tornar melhores.
Envelhecer: a arte das artes.
Ninguém nasce sábio. É necessário ter sido tolo para ser sábio um dia.
Ninguém nasce bom. É necessário machucar pessoas para ser bom um dia.
Envelhecer para mim não pode ser algo menor que uma virtude. Envelhecer é uma arte. Envelhecer torna-nos arte. Muitos abominam o envelhecimento. Sinceramente eu não os compreendo. Na verdade os compreendo um pouco: são pessoas que não gostam de arte. Só que eu também não compreendo os que não gostam de arte. Só mudamos o foco; a questão continua em aberto.
Eu sempre gosto das melhores partes (e quem não?). E as melhores partes estão quase sempre próximas do fim. Abominar o envelhecimento é abominar o último gole da coca-cola, o último pedaço de bolo ou a última tragada do cigarro. É não chorar com a partida do Pequeno Príncipe, é não revoltar-se com a indistinguibilidade de porcos e homens na Revolução dos Bichos ou com as difíceis Vidas Secas. É não chorar com os beijos do Cinema Paradiso, não sorrir com a volta d'O Palhaço ou não revoltar-se com o fim do criador d'A Corrente do Bem.
E o mais belo de envelhecer é que é a única coisa que continuamos fazendo até o último segundo de nossas vidas:
Nunca seremos tão fortes que não possamos nos tornar mais fortes.
Nunca seremos tão sábios que não possamos nos tornar mais sábios.
Nunca seremos tão bons que não possamos nos tornar melhores.
Envelhecer: a arte das artes.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Amigo
Simbiose. Indefinível se não for simbiose. Pensamos igual. Sentimos (quase) igual (nem simbióticos sentem igual). Mesmos costumes, mesmos gostos, mesmas músicas. Mesmos sons, mesmas bebidas, mesmos paladares. Mesmos rancores, mesmos teores e (quase) mesmos amores. Quem disse que são opostos que se atraem? Essa é a grande mentira do mundo. Pelo menos para os homens. Cargas opostas se atraem, mas não; seres humanos não são cargas. Seres humanos são complexos. E até a busca do entendimento dessa complexidade nós temos em mesmo grau. Em mesma intensidade. Até em mesma virtude, eu diria. Nos entendemos. E quando brigamos, nos aceitamos: decidimos isso para nós. Porque aceitar-nos é infinitamente mais natural do que separar-nos; e nós sabemos disso. E naturalidade é o que todos nós devemos buscar. Ser natural é ser sincero. Ser natural é ser real. Ser natural é estar perto de um grande amigo. De um grande amigo de verdade.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Um caso do acaso
Entra um sol sorrateiro pela fresta da janela. Esses farrapos de luz não me darão energia suficiente para levantar. Para sair, sorrir... para solfejar notas de canção alegre. Há uma escuridão muito grande pairando por aqui. E envolto nessa escuridão não há luz que ilumine, nem calor que aqueça. Mão que afague não há também. Não há bichos nem plantas. Vida também não se pode haver. Sonho também não há. Sonhos são imagens, e imagens precisam de luz. E luz... já disse, é muito pouca. Mas ainda existem coisas. Existe a fumaça e o cheiro de tabaco impregnado nos dedos. Existe o álcool. O sabor detestável que fica na boca; o odor lastimável que exala através dos poros. Ambos relembrando mais desventuras ridículas de uma noite passada. Há a enxaqueca, a ressaca, a insônia. Há o mal-estar, a solidão e o marasmo. Um mau marasmo, aliás. Um marasmo agonizante, que ao invés de fazer-te esperar a vida, é como se fosse a morte que estivesses a esperar (e com um pouco de ansiedade, talvez).
Há de se inventar algumas coisas. A sorte. O acaso. Inventá-los ou simplesmente construí-los? Já tentei tantas vezes em vão... vale a pena continuar? É... acho que vale. De um acaso construído errado nasce outro acaso, que pode dar a luz a uma sorte ainda maior do que aquela que o "acaso" buscado poderia gerir. E nessa brincadeira de se construir acasos desconstruímos o mau marasmo que aos poucos nos mata (sim, a espera pela morte é a pior forma de morrer). E nessa brincadeira de se construir acasos trazemos possibilidades para a vida. E nessa brincadeira de se construir acasos acabamos por viver.
Há de se inventar algumas coisas. A sorte. O acaso. Inventá-los ou simplesmente construí-los? Já tentei tantas vezes em vão... vale a pena continuar? É... acho que vale. De um acaso construído errado nasce outro acaso, que pode dar a luz a uma sorte ainda maior do que aquela que o "acaso" buscado poderia gerir. E nessa brincadeira de se construir acasos desconstruímos o mau marasmo que aos poucos nos mata (sim, a espera pela morte é a pior forma de morrer). E nessa brincadeira de se construir acasos trazemos possibilidades para a vida. E nessa brincadeira de se construir acasos acabamos por viver.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Noturnos
Quando é noite é que somos reais. Somos seres noturnos porque todos têm medo da luz. A luz é o que joga aos olhos verdades que ninguém quer mostrar. Julgar é coisa humana e a hipocrisia reina na Terra. Queremos parecer normais, coisa que ninguém é. Queremos seguir um padrão hipotético. Queremos ser respeitados. Mas respeitados por quem? Por quem é gente como nós mesmos? Por quem erra como nós mesmos, mas tem maior capacidade de dissimular? Dissimulação não é virtude. Respeito não se fundamenta em farsas. Mas ainda é de farsas que nós vivemos. Por quê? Porque é fácil atuar na vida. E todos (pelo menos um pouco) representamos personagens que não condizem a nós mesmos. Por quê?
Porque a hipocrisia reina na Terra e julgar é (infelizmente) coisa humana...
Porque a hipocrisia reina na Terra e julgar é (infelizmente) coisa humana...
domingo, 9 de dezembro de 2012
Indagações e divagações
Até onde o errar é humano?
Até onde esse amargo é de fel?
Quando é que o amar vira amando?
Quanto custa a passagem pro céu?
Até onde o saber é vivido?
Quando acaba uma lua de mel?
A questão entre a dor e a libido
É que trazem um certo escarcéu
Escarcéu que destroça paragens
Escarcéu que retira o chão
Escarcéu que mistura imagens
Corrompidas de tanta ilusão
Ilusão do sofrer para sempre
Ilusão de tamanho prazer
Ilusão de um deus em seu ventre
Ilusão de morrer por sofrer
Se o sofrer é assim tão mundano
Também chamo mundano o querer
Que assim, num deslize de planos
Andam juntos e o alvo é você
Até onde esse amargo é de fel?
Quando é que o amar vira amando?
Quanto custa a passagem pro céu?
Até onde o saber é vivido?
Quando acaba uma lua de mel?
A questão entre a dor e a libido
É que trazem um certo escarcéu
Escarcéu que destroça paragens
Escarcéu que retira o chão
Escarcéu que mistura imagens
Corrompidas de tanta ilusão
Ilusão do sofrer para sempre
Ilusão de tamanho prazer
Ilusão de um deus em seu ventre
Ilusão de morrer por sofrer
Se o sofrer é assim tão mundano
Também chamo mundano o querer
Que assim, num deslize de planos
Andam juntos e o alvo é você
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Ressaca mata a gente
Quando te sentires mal
Não quiseres deixar a cama
Com teu corpo todo em chama
E cabeça em estupor
Quando te sentires baixo
Com tuas mãos em tremelique
E um cheiro de alambique
Do teu ser a exalar
Quando te sentires amargo
Com o peito estupefato
E essências de sapato
A tua boca emanar
Lembra-te sempre das amigas
Seja a nova ou seja a Gina
Seja a Neusa ou outra "ina"
Jogue as mesmas na barriga
Senta e espera o mal passar!
É... ressaca mata a gente.
Não quiseres deixar a cama
Com teu corpo todo em chama
E cabeça em estupor
Quando te sentires baixo
Com tuas mãos em tremelique
E um cheiro de alambique
Do teu ser a exalar
Quando te sentires amargo
Com o peito estupefato
E essências de sapato
A tua boca emanar
Lembra-te sempre das amigas
Seja a nova ou seja a Gina
Seja a Neusa ou outra "ina"
Jogue as mesmas na barriga
Senta e espera o mal passar!
É... ressaca mata a gente.
domingo, 25 de novembro de 2012
Difusão de "ideias"
É incrível como encontra-se enormes imbecilidades com tamanha facilidade na internet... Bom, isso todos nós já sabemos e há muito tempo, convenhamos. Mas a situação parece só piorar. Na época do Orkut era fácil encontrar comunidades de discussão onde a maioria das pessoas eram sérias e procuravam argumentos para o que se discutia. Pessoas escreviam e eram lidas com atenção, pois eram reflexões adultas, fundamentadas e pensadas, ou seja, eram reflexões de fato.
O que vemos hoje em dia é uma situação bem diferente, diria quase antagônica à anterior. Uma enxurrada de preconceitos e difusão de ideias alheias. Ideias alheias que na grande maioria das vezes tiveram nascimento de um preconceito fútil ou somente de uma inércia de ideais antigos e que já não mais são adequados à sociedade de hoje em dia. Perdeu-se a noção da necessidade de procurar saber sobre o que se discorre. Perdeu-se a noção da importância do debate. O que temos agora são pessoas que não querem se ouvir. Pessoas agora só querem falar, falar e falar. E sempre eu fico com essa questão na cabeça: quem alguma vez já teve algum crescimento pessoal falando? Gosto mais da moda antiga, onde você escuta seu interlocutor, reflete sobre seu ponto de vista e emite o seu parecer baseado em suas próprias experiências de vida, nos seus estudos, nos livros que já leu ou em outras discussões que já presenciou.
Não, mas isso é muito difícil hoje em dia... temos caminhões de informação sendo vomitados em nossas cabeças o tempo inteiro e temos que fingir que assimilamos tudo isso. Fingir sim, porque se continuássemos pensando da maneira como fazíamos antigamente não daria tempo de "passar o olho" por toda essa informação. E somente passando o olho por toda essa informação atrofiamos nossa capacidade de pensar, de buscar entender, de ser receptivo com diferentes ideias e acabamos perdendo a virtude de aceitarmos pessoas diferentes de nós. Vê-se grupos de discussão sobre religião, sobre drogas, sobre liberdade sexual, sobre política, filosofia, música... mas só vê-se os grupos; nada de discussão. São grupos de pessoas que pensam que pensam de maneira igual, mas na verdade não pensam. Têm um arsenal de informação não digerida em sua disposição, mas pelo fato de não pensarem sequer fazem bom uso do mesmo. Então por que continuam? Continuam porque a qualidade das ideias perdeu importância em detrimento da quantidade. Por isso vemos tantas postagens no Facebook, por exemplo, de citações de autores errados. E coisas do tipo "Dê-me um ponto de apoio e uma alavanca e moverei o mundo - Albert Einstein". Mas qual o problema se era Arquimedes? Ninguém sabe disso mesmo... o importante é que citei um cientista importante numa frase de efeito em meu status. E algum conhecimento sobre torque? Nada! "Isso é Física! É coisa de doido! Risos."
Acho que aqui já me fiz entender. Por final deixo uma música do Secos e Molhados que reflete bem a ideia deste texto. A música é de autoria do João Ricardo e descobri agora que o teclado moog da versão de estúdio (do Secos e Molhados) foi gravado por Zé Rodrix! Mas li isso na internet... será que é verdade mesmo?
O que vemos hoje em dia é uma situação bem diferente, diria quase antagônica à anterior. Uma enxurrada de preconceitos e difusão de ideias alheias. Ideias alheias que na grande maioria das vezes tiveram nascimento de um preconceito fútil ou somente de uma inércia de ideais antigos e que já não mais são adequados à sociedade de hoje em dia. Perdeu-se a noção da necessidade de procurar saber sobre o que se discorre. Perdeu-se a noção da importância do debate. O que temos agora são pessoas que não querem se ouvir. Pessoas agora só querem falar, falar e falar. E sempre eu fico com essa questão na cabeça: quem alguma vez já teve algum crescimento pessoal falando? Gosto mais da moda antiga, onde você escuta seu interlocutor, reflete sobre seu ponto de vista e emite o seu parecer baseado em suas próprias experiências de vida, nos seus estudos, nos livros que já leu ou em outras discussões que já presenciou.
Não, mas isso é muito difícil hoje em dia... temos caminhões de informação sendo vomitados em nossas cabeças o tempo inteiro e temos que fingir que assimilamos tudo isso. Fingir sim, porque se continuássemos pensando da maneira como fazíamos antigamente não daria tempo de "passar o olho" por toda essa informação. E somente passando o olho por toda essa informação atrofiamos nossa capacidade de pensar, de buscar entender, de ser receptivo com diferentes ideias e acabamos perdendo a virtude de aceitarmos pessoas diferentes de nós. Vê-se grupos de discussão sobre religião, sobre drogas, sobre liberdade sexual, sobre política, filosofia, música... mas só vê-se os grupos; nada de discussão. São grupos de pessoas que pensam que pensam de maneira igual, mas na verdade não pensam. Têm um arsenal de informação não digerida em sua disposição, mas pelo fato de não pensarem sequer fazem bom uso do mesmo. Então por que continuam? Continuam porque a qualidade das ideias perdeu importância em detrimento da quantidade. Por isso vemos tantas postagens no Facebook, por exemplo, de citações de autores errados. E coisas do tipo "Dê-me um ponto de apoio e uma alavanca e moverei o mundo - Albert Einstein". Mas qual o problema se era Arquimedes? Ninguém sabe disso mesmo... o importante é que citei um cientista importante numa frase de efeito em meu status. E algum conhecimento sobre torque? Nada! "Isso é Física! É coisa de doido! Risos."
Acho que aqui já me fiz entender. Por final deixo uma música do Secos e Molhados que reflete bem a ideia deste texto. A música é de autoria do João Ricardo e descobri agora que o teclado moog da versão de estúdio (do Secos e Molhados) foi gravado por Zé Rodrix! Mas li isso na internet... será que é verdade mesmo?
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Sonhos
Sonhei. Sonhei quente e intensamente como há anos não sonhava! Mas eu sei quem ajudou-me. É Hermann Hesse e todos os anseios de Harry Haller por sua morte. Mas como ansiar pela morte se a temes, nobre Harry? É Hermínia e sua sobrenatural dádiva de saber todos os confortos necessários ao sofrido Harry. É Maria e sua volúpia. É o lobo da estepe e sua ira incontida, funesta, aterrorizante. É o saxofone que despeja jazz nos ouvidos eruditos e ranzinzas de Harry. São as belezas impossíveis e lisérgicas do doce Teatro Mágico.
É Jean-Paul Sartre e Pablo Ibbieta e seu medo da morte (também incontido por mais que quisesse contê-lo ante ao doutor belga "cheio de vida"). É Tom e Juan e suas cores acinzentadas pelo visível, e deliberadamente incontido temor pela mesma. É Ramón Gris e sua causa pela Espanha. É o muro que espera a todos e já começa a ressoar os estouros às cabeças acusadas de crimes contra a pátria.
É Jean-Paul Sartre e a normalidade chata do sr. Darbédat. A bondade e cumplicidade tenra e confortadora da sra. Darbédat. É Ève e seu amor pela loucura. Pierre e suas estátuas flutuantes, fazendo barulho como motores de avião!
Sonhei com uma fazenda macabra, pessoas estranhas, de comportamentos estranhos e nomes estranhos, e sua índole um tanto quanto dúbia. Sonhei que flutuava pelos ares, rodopiando numa velocidade alucinante e completamente fora de controle! Sonhei que caçava e era caçado. Sonhei com delírios sensuais maravilhosos e, por fim, sonhei ainda (isso foi de longe o sonho mais belo!) com a materialização do amor. Sim! E não há quem diga que está errado "esse conceito". Ele sobrevive somente em meu plano onírico e é certo que não deve nunca sair de lá.
Os sonhos, meus amigos, alimentam-se de imaginação que por sua vez alimenta-se quase que totalmente de livros! E com esta linda rede alimentar aproveitamos ainda para sair da chatice e das desventuras do mundo real. Afogar mágoas ressentidas e deixar de lado problemas mesquinhos, que sabe-se lá o porquê, tanto nos atormentam! É uma boa pedida, eu garanto!
É Jean-Paul Sartre e Pablo Ibbieta e seu medo da morte (também incontido por mais que quisesse contê-lo ante ao doutor belga "cheio de vida"). É Tom e Juan e suas cores acinzentadas pelo visível, e deliberadamente incontido temor pela mesma. É Ramón Gris e sua causa pela Espanha. É o muro que espera a todos e já começa a ressoar os estouros às cabeças acusadas de crimes contra a pátria.
É Jean-Paul Sartre e a normalidade chata do sr. Darbédat. A bondade e cumplicidade tenra e confortadora da sra. Darbédat. É Ève e seu amor pela loucura. Pierre e suas estátuas flutuantes, fazendo barulho como motores de avião!
Sonhei com uma fazenda macabra, pessoas estranhas, de comportamentos estranhos e nomes estranhos, e sua índole um tanto quanto dúbia. Sonhei que flutuava pelos ares, rodopiando numa velocidade alucinante e completamente fora de controle! Sonhei que caçava e era caçado. Sonhei com delírios sensuais maravilhosos e, por fim, sonhei ainda (isso foi de longe o sonho mais belo!) com a materialização do amor. Sim! E não há quem diga que está errado "esse conceito". Ele sobrevive somente em meu plano onírico e é certo que não deve nunca sair de lá.
Os sonhos, meus amigos, alimentam-se de imaginação que por sua vez alimenta-se quase que totalmente de livros! E com esta linda rede alimentar aproveitamos ainda para sair da chatice e das desventuras do mundo real. Afogar mágoas ressentidas e deixar de lado problemas mesquinhos, que sabe-se lá o porquê, tanto nos atormentam! É uma boa pedida, eu garanto!
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Vazio
E um vazio chega à tona. "O que fazer?" Pensa a mente. "Nada a fazer." Responde o corpo. E o coração rebate: "Por que viver?"
A alma observa atônita (em sua suposta eternidade) achando sem fundamento essas questões, sendo que eterna (supostamente) é.
E então sempre chega a vida (que é sempre quem decide esses impasses) e diz: "Segue, filho. Segue e não te incomodes. Que este vazio, de um jeito ou de outro, eu sempre hei de completar."
A alma observa atônita (em sua suposta eternidade) achando sem fundamento essas questões, sendo que eterna (supostamente) é.
E então sempre chega a vida (que é sempre quem decide esses impasses) e diz: "Segue, filho. Segue e não te incomodes. Que este vazio, de um jeito ou de outro, eu sempre hei de completar."
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Levanta, sonolenta flor!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para o mundo, pois o mundo mundo espera-te! O mundo e suas maravilhas. Vales encarpetados de verde pasto viçoso. Magnânimas montanhas e sua suntuosa imponência. Exuberantes lagos gelados e os picos mais elevados que o homem já pôde escalar. As torres mais belas, as muralhas mais impenetráveis e castelos de toda majestade também esperam por ti!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para a vida, pois a vida espera-te! Os peixes mais exóticos, vindos das mais profundas fossas abissais. As maiores baleias e sua gigantesca paciência. A graciosidade de todos os coloridos pássaros da América do Sul e a austeridade dos norte-americanos. A velocidade e fineza dos felinos africanos também esperam por ti!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para o amor, pois o amor espera-te! A temperatura das mulatas. A força dos alemães. A delicadeza dos franceses e as curvas das brasileiras. Os seios das espanholas. A tez dos australianos. As madeixas das japonesas e a rigidez dos siberianos. Os caprichos das tailandesas e os carinhos italianos. Sim, também estão a esperar-te!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para tudo isso, pois tudo isso espera-te! Acorda e liga o modem, e tudo isso estará bem à frente na tua tela!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para a vida, pois a vida espera-te! Os peixes mais exóticos, vindos das mais profundas fossas abissais. As maiores baleias e sua gigantesca paciência. A graciosidade de todos os coloridos pássaros da América do Sul e a austeridade dos norte-americanos. A velocidade e fineza dos felinos africanos também esperam por ti!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para o amor, pois o amor espera-te! A temperatura das mulatas. A força dos alemães. A delicadeza dos franceses e as curvas das brasileiras. Os seios das espanholas. A tez dos australianos. As madeixas das japonesas e a rigidez dos siberianos. Os caprichos das tailandesas e os carinhos italianos. Sim, também estão a esperar-te!
Levanta, sonolenta flor! Acorda para tudo isso, pois tudo isso espera-te! Acorda e liga o modem, e tudo isso estará bem à frente na tua tela!
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Querido amigo
Pele de ogro, coração de menino. É o que nunca compreendi em ti. Não compreendo e nunca compreenderei. O motivo disso tudo é minha admiração por enigmas. E é o que te faz tão amável. Tão querido. Tão único. Suspendes cem quilos e rolas na lama. Afrontas inimigos e danças cirandas. Afugentas bandidos e corres de lhamas. O que é isso contigo? O que te faz assim? Muitos te amam e não sabem o porquê. Eu sei (pelo menos isso eu sei). És tu quem traz a paz. És tu quem traz a alegria. E espero que continues sempre assim: enchendo a vida de teus próximos de muito calor e muita fantasia.
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